A dança começa com a troca de olhares,
Que se cruzam tímidos, como de fugida,
(Eu um pouco ansioso, tu envergonhada)
O meu revelando vontade inibida
O teu ocultando delícias ímpares.
A dança prossegue no esgrimir de linguas,
Tocando-se em golpes de estoque e parada
Ao redor de suas pontas, valsam paladares,
De outra lingua, de seios, de sexo e suor,
Tomando assim um do outro o sabor,
Num allegro andante, lento mas fremente
Em que entre coxas se dança um minuete
Continuam a dança em ritmo de tango,
Os odores que se envolvem em tom sensual
Despertando em nós o instinto animal
De levar ao êxtase nossos corpos expectantes.
Escuta: Eis o coro
E que sons de loucura ele canta!
Promessas e juras em sussurros arfantes,
Suaves gemidos, ternas gargalhadas;
Audiveis envelos que a vontade agiganta
Teu corpo com meu cubro, qual manto
É vê-lo, franzino a desaparecer
No meu envolvido; a cada movimento,
mais indissociavel do meu próprio ser.
A estocada é outra; Já não há parada
Ardentes, buscamos dar e ter prazer
Em dança moderna, louca e desvairada
Se tocam os corpos sem mais nada querer
Que este bailado, enfim tão arcano,
Onde vive o desejo e o sentimento.
Todo o mundo passa para segundo plano,
E esquecemos tudo, menos o momento
De Crescendo pujante, de si mesmo ufano,
Porém condenado à partida a morrer,
Perdido num climax, prelúdio de adágio
Em que em ti se liberta todo o meu viver.
Finais de 2005
1 comentário:
The gravity of love...
That's what I call it.
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